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 é muito difícil manter quarentena quando o seu melhor eu é justamente aquele que tá lá fora, na rua. Difícil manter. Difícil se manter são. Difícil se manter sorridente. Difícil se manter distraído de tudo que não tá lá fora, que tá dentro, seja de casa ou de si. De tudo que tá dentro e grita pra sair, esperneia, arranca a pele fora tentando achar uma brecha pra sair. E antes dele sair sai tudo: Sangue, pus, a pele que você sequer conhece, sai a dor que nem sabia que ali podia ter, mas tem, e vai dormir com a dor latejando o desespero da pele tentando segurar o que quer que queira sair. E as vezes sai. Sai um pouco, um pingo. As vezes dois pingos. As vezes é torrente, correnteza, um desastre anunciado já alertado a tanto tempo pelos cientistas e ignorado muito mais que um par de ouvidos. Ignorado por muito mais do que aquele onde habita, ignorado pelos sonhos, pelo trabalho, pelo álcool, pela masturbação compulsiva impulsiva repulsiva permissiva dismissiva instintiva agressiva, pela alimentação desenfreada de uma boca desesperada por falar mas se cala e cansa de tanto mastigar, cansada tal qual o prisioneiro quebrando pedra o dia todo no sol mas sem poder cantar, suas marretadas surdas sem som nenhum para distrair a mente

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