Ansiedade
Por trás de meus olhos, o momento é sempre certeiro de chegar, sem falha. A palpitação aumenta gradualmente, partindo do tórax como se os ossos tivessem vida própria e tudo que quisessem fazer é gritar, porém esse desespero é abafado por nunca encontrar um vão de escape, o menor que seja; não há rachaduras, não há poros, sequer há em quem se apoiar. O grito toma conta do corpo como óleo quente saindo de dentro pra fora, como uma explosão de estilhaços enferrujados, curvados, dentados. O corpo vibra inteiro como se cada parte explodisse indo para onde bem entendesse e seu hospedeiro que lute para se juntar novamente;
Pele
Carne
Tendão
Ossos
Sangue
Tudo gritando em desespero para fugir, sair dali, esconder-se num buraco seguro, num armário, numa gaveta, debaixo da cama. Toda essa revolta, esse rebuliço, esse debandar; fica preso no hospedeiro até, com sorte, conseguir se acalmar.
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