A mais

Queria que meus escritos fossem sobre coisas que fazem a diferença. Sobre a vivência cercado pelo racismo, sobre achar um sorriso mesmo imerso na vivência torpe e cruel do dia a dia, sobre querer fazer a diferença contra as injustiças do mundo, contra as mentiras faladas sabendo que as pessoas não vão acreditar, mas sem sequer se importarem com isso. Sobre o comandante da polícia militar que esteve várias vezes muito próximo de trazer sua psicopatia para dentro de casa, deixá-la atacar filhos e mulher. Sobre os políticos ricos que são apenas marionetes nas mãos de tantos empresários, oligarcas e herdeiros, todos eles que tem um papel desconhecido em relação a todo ano haver água e haver destruição e haver tristeza e haver Vanessa. Vanessa morreu por causa dessas águas. Das águas que alguém foi avisado e orientado a avisar todos a tomarem cuidado. Mas não. O que é a orientação de profissionais com anos de estudo perto do que um militar acha que é?

Queria que meus escritos pudessem mudar algo. Queria olhar pra eles e vê-los crescer. Queria vê-los ser mais que eu. Que, convenhamos, não é muito difícil.

Queria ter algo maior que eu mesmo. Qualquer coisa. Podia ter sido hoje. Mas hoje, não deu;.

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