precisa de titulo, né

 Falei pra muitos amigos que sentia que queria conversar, mas não sabia sobre o quê. Não sabia qual iria ser o grande assunto a guiar as conversas, não fazia ideia de quais fios iriam ser desenrolados na nossa troca de sensações verbais, só sabia que queria desenrolar o fio. Tirar seus nós, puxá-los, esticá-los, seja delicadamente ou seja sendo extremamente efusivo, empolgado, ansioso. O fio só precisava ser esticado. Precisava saber suas cores, sua grossura, seu cheiro, sua textura; onde ele tornava-se mais suportável de tocar, onde ele era roto, onde ele estava mantendo-se por um fio, onde pudesse exalar miasma, concentrar pus, provocar repulsa, causar o pior. De onde eu certamente não conseguiria mais desembaraçar nada. Onde eu seria forçado apenas a contemplar o poderio de um enorme emaranhado cheio de nós e sensações sem nome mas totalmente cheias de peso e de pesar. 

Todo fio devia ter tanto poder? Todo fio devia ser tão imponente, sinistro, um perigo a existência? Toda sensação impossível de nomear deve ser assim, pra sempre, independente de quanto se viva ou quantas dores se supere? Alguma dor é realmente superada, ou elas mantém-se pulsando embaixo da pele, eternamente nos lembrando do que aconteceu? Ou seriam apenas algumas dores assim? Quais deixariam cicatrizes? E como são os fios ligados a elas? Elas formariam nós? De que tamanhos? Todas essas perguntas servem de alguma coisa? Pra mim? Pra você que vai ler? Pra quem lerá após? Será que por você ter lido, mudará algo em quem lerá depois?


hahaha


Claro que não. Claro, que bom.

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